Matemática

Calculadora de Probabilidade Binomial — P(X=k)

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A distribuição binomial calcula a probabilidade de obter exatamente k sucessos em n ensaios independentes, onde cada ensaio tem probabilidade constante p de sucesso. É usada em controle de qualidade, epidemiologia, genética e finanças. Por exemplo: qual a chance de obter exatamente 3 caras em 10 lançamentos de uma moeda justa? A fórmula central é P(X=k) = C(n,k) · pᵏ · (1−p)^(n−k), onde C(n,k) é o coeficiente binomial ("n escolhe k"). Aplica-se sempre que os ensaios são independentes, o número de tentativas é fixo e o resultado de cada ensaio é binário (sucesso ou fracasso).

Última revisão: 3 de junho de 2026 Verificado por Fonte: Wikipedia PT — Distribuição Binomial, NIST/SEMATECH — Binomial Distribution (Engineering Statistics Handbook), Khan Academy — Probabilidade binomial (em português), ABNT NBR 5426 — Planos de amostragem por atributos 100% privado

A probabilidade binomial P(X=k) = C(n,k) × p^k × (1−p)^(n−k), onde C(n,k) = n!/(k!(n−k)!) é o número de combinações de n elementos tomados k a k. Exemplo: 10 lançamentos de moeda justa, exatamente 3 caras → P(X=3) = C(10,3) × 0,5³ × 0,5⁷ = 120 × 0,125 × 0,0078125 ≈ 0,1172 (11,72%). Média = n×p; Variância = n×p×(1−p).

Quando usar esta calculadora

  • Controle de qualidade industrial: estimar a probabilidade de exatamente 2 peças defeituosas em um lote de 50, sabendo que a taxa de defeito é 4%.
  • Epidemiologia: calcular a chance de exatamente 5 pessoas em um grupo de 20 contraírem uma doença com taxa de incidência de 15%.
  • Genética mendeliana: determinar a probabilidade de exatamente 3 filhos em 5 herdarem um gene recessivo com probabilidade 0,25 por nascimento.
  • Concursos e provas: estimar a probabilidade de acertar exatamente 6 questões em 10, respondendo aleatoriamente em questões de 4 alternativas (p=0,25).
  • Finanças e risco: probabilidade de exatamente k inadimplências em uma carteira de n empréstimos independentes.

Exemplo passo a passo: 10 lançamentos de moeda, exatamente 3 caras

  1. n = 10 (ensaios), k = 3 (sucessos), p = 0,5 (moeda justa)
  2. C(10,3) = 10! / (3! × 7!) = 120
  3. P = 120 × 0,5³ × 0,5⁷ = 120 × 0,125 × 0,0078125
  4. P(X=3) ≈ 0,11719 (11,72%)
  5. Média μ = 10 × 0,5 = 5 caras esperadas
  6. Variância σ² = 10 × 0,5 × 0,5 = 2,5
Resultado: 0.117

Como funciona

3 min de leitura

Como se calcula

A fórmula da distribuição binomial é:

P(X = k) = C(n, k) × p^k × (1 - p)^(n - k)

Onde:
  C(n, k) = n! / (k! × (n - k)!)   ← coeficiente binomial
  n  = número total de ensaios
  k  = número de sucessos desejados
  p  = probabilidade de sucesso em cada ensaio
  (1 - p) = q = probabilidade de fracasso

Média (valor esperado):  μ = n × p
Variância:               σ² = n × p × (1 − p)
Desvio padrão:           σ = √(n × p × (1 − p))

Exemplo passo a passo (n=10, k=3, p=0,5):
1. C(10,3) = 10! / (3! × 7!) = 120
2. p³ = 0,5³ = 0,125
3. (1−0,5)⁷ = 0,5⁷ = 0,0078125
4. P = 120 × 0,125 × 0,0078125 = 0,1172 (11,72%)
5. Média = 10 × 0,5 = 5; Variância = 10 × 0,5 × 0,5 = 2,5

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Tabela de referência

Probabilidades P(X=k) para n=10 e diferentes valores de p:

k (sucessos)p = 0,10p = 0,25p = 0,50p = 0,75p = 0,90
00,34870,05630,00100,00000,0000
10,38740,18770,00980,00030,0000
20,19370,28160,04390,00160,0000
30,05740,25030,11720,00310,0001
40,01120,14600,20510,01620,0015
50,00150,05840,24610,05840,0015
60,00010,01620,20510,14600,0112
70,00000,00310,11720,25030,0574
80,00000,00040,04390,28160,1937
90,00000,00000,00980,18770,3874
100,00000,00000,00100,05630,3487

> Observe a simetria perfeita quando p=0,50 e como a distribuição se desloca para a direita quando p > 0,50.

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Casos típicos

Caso 1 — Controle de qualidade (n=20, k=0, p=0,05)


Uma fábrica produz peças com 5% de taxa de defeito. Qual a probabilidade de nenhuma peça defeituosa em um lote de 20?

C(20,0) = 1
P = 1 × (0,05)⁰ × (0,95)²⁰ = 1 × 1 × 0,3585 = 0,3585 (35,85%)
Média = 20 × 0,05 = 1 peça defeituosa esperada
Variância = 20 × 0,05 × 0,95 = 0,95

Caso 2 — Prova de múltipla escolha (n=10, k=6, p=0,25)


Um estudante chuta todas as 10 questões, cada uma com 4 alternativas (p=0,25). Qual a chance de acertar exatamente 6?

C(10,6) = 210
P = 210 × (0,25)⁶ × (0,75)⁴ = 210 × 0,000244 × 0,3164 ≈ 0,0162 (1,62%)

Caso 3 — Epidemiologia (n=15, k=2, p=0,10)


Em um grupo de 15 pessoas, com taxa de contágio de 10%, qual a probabilidade de exatamente 2 infectados?

C(15,2) = 105
P = 105 × (0,10)² × (0,90)¹³ = 105 × 0,01 × 0,2542 ≈ 0,2669 (26,69%)

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Erros comuns

1. Confundir P(X=k) com P(X≤k): A fórmula binomial calcula probabilidade pontual (exatamente k). Para "no máximo k" é necessário somar P(X=0) + P(X=1) + ... + P(X=k) — isso é a CDF binomial.

2. Usar p incorreto (complementar invertido): Se p é a probabilidade de fracasso, não de sucesso, os resultados ficam trocados. Sempre defina claramente qual evento é o "sucesso" antes de calcular.

3. Ignorar a condição de independência: A binomial exige que os ensaios sejam independentes. Amostras sem reposição de populações pequenas violam essa premissa — nesses casos, deve-se usar a distribuição hipergeométrica.

4. Aplicar binomial com n variável: Se o número de ensaios não é fixo previamente, a distribuição correta pode ser a geométrica (número de ensaios até o 1º sucesso) ou a binomial negativa (até o k-ésimo sucesso).

5. Arredondar p intermediário: Arredondar p de 0,3333 para 0,33 antes de calcular pode gerar erros significativos para n grande. Use o valor exato da probabilidade até o resultado final.

Perguntas frequentes

O que é a distribuição binomial e quando ela se aplica?

A distribuição binomial modela o número de sucessos em n ensaios independentes, cada um com probabilidade p constante de sucesso. Aplica-se quando: (1) o número de ensaios é fixo, (2) cada ensaio tem apenas dois resultados possíveis, (3) os ensaios são independentes entre si e (4) p é igual em todos os ensaios. Exemplos clássicos incluem lançamentos de moeda, testes de qualidade e experimentos genéticos de Mendel.

Como calcular C(n,k) — o coeficiente binomial — manualmente?

C(n,k) = n! / (k! × (n−k)!). Por exemplo, C(10,3) = (10×9×8) / (3×2×1) = 720 / 6 = 120. Uma dica prática: o Triângulo de Pascal permite ler diretamente o coeficiente binomial — na linha n=10, a posição k=3 (contando do zero) vale 120. Para n grandes (acima de 20), recomenda-se usar logaritmos ou calculadoras para evitar overflow numérico.

Qual é a diferença entre probabilidade binomial pontual e acumulada?

P(X=k) é a probabilidade pontual: exatamente k sucessos. A probabilidade acumulada P(X≤k) soma todas as probabilidades de 0 até k: P(X≤k) = Σ P(X=i) para i=0 até k. Por exemplo, com n=10 e p=0,5, P(X=3) ≈ 0,1172, mas P(X≤3) = P(0)+P(1)+P(2)+P(3) ≈ 0,0010+0,0098+0,0439+0,1172 = 0,1719 (17,19%). Use a acumulada para perguntas do tipo 'no máximo' ou 'pelo menos'.

Quando a distribuição binomial se aproxima de uma distribuição normal?

Pelo Teorema Central do Limite, a binomial se aproxima da normal quando n é grande e p não é muito extremo. A regra prática mais usada é: np ≥ 5 E n(1−p) ≥ 5. Nesse caso, usa-se μ = np e σ = √(np(1−p)). Por exemplo, n=100 e p=0,3 → μ=30, σ≈4,58 — pode-se aplicar a normal com correção de continuidade. Para p muito próximo de 0 com n grande, a aproximação de Poisson (λ=np) é mais precisa.

Qual é a diferença entre distribuição binomial e distribuição de Poisson?

A binomial usa parâmetros n (ensaios) e p (probabilidade), aplicando-se quando n é finito e conhecido. A Poisson usa apenas λ (taxa média de ocorrência) e modela eventos raros em intervalos contínuos (tempo, área) onde n→∞ e p→0, mas np=λ permanece constante. Regra prática: use Poisson quando n>50 e p<0,05 — por exemplo, número de defeitos por metro de tecido ou número de ligações por minuto em uma central.

Como a distribuição binomial é usada em controle estatístico de qualidade?

Em controle de qualidade, a binomial é a base do plano de amostragem por atributos (NBR 5426 no Brasil, equivalente à ISO 2859). Define-se uma AQL (Nível de Qualidade Aceitável), um tamanho de amostra n e um número de aceitação c. Calcula-se a probabilidade acumulada P(X≤c | n, p) para decidir se o lote é aprovado ou rejeitado. Por exemplo, com n=50, c=2 e p=0,04 (AQL 4%), P(X≤2) ≈ 0,677 — há 67,7% de chance de aprovar um lote com 4% de defeitos.

O que acontece com a forma da distribuição binomial conforme p varia?

Quando p=0,5, a distribuição é perfeitamente simétrica em torno de n/2. Quando p<0,5, a distribuição é assimétrica à direita (cauda longa para valores altos de k). Quando p>0,5, é assimétrica à esquerda. A assimetria é medida por (1−2p)/√(np(1−p)). À medida que n aumenta, qualquer distribuição binomial tende à simetria normal, independentemente de p (desde que np e n(1−p) sejam suficientemente grandes, conforme regra np≥5).

Por que a soma de todas as probabilidades binomiais para n e p fixos vale exatamente 1?

Porque Σ P(X=k) para k=0 até n = Σ C(n,k) pᵏ (1−p)^(n−k) = (p + (1−p))ⁿ = 1ⁿ = 1, pelo Teorema Binomial de Newton. Isso garante que a distribuição é completa: algum número entre 0 e n de sucessos sempre ocorrerá. Essa propriedade é fundamental para validar cálculos — se a soma diferir de 1 (mesmo que levemente, por arredondamentos), há erro no processo de cálculo.

O que é distribuição de Bernoulli e como ela se relaciona com a binomial?

Bernoulli é o caso especial da binomial com n=1: um único ensaio com probabilidade p de sucesso. O resultado é 0 (fracasso) ou 1 (sucesso). A distribuição binomial é a soma de n variáveis aleatórias de Bernoulli independentes e identicamente distribuídas. Portanto, Binomial(n=1, p) = Bernoulli(p).

Fontes e referências