Portugal · casa · decisões de dinheiro

Aguenta a prestação — e vale a pena amortizar?

Duas contas decidem quase tudo na casa: quanto do seu rendimento fica preso na prestação, e o que ganha mesmo se usar uma poupança para amortizar em vez de a deixar a render. Aqui estão as duas, com a comissão do banco já descontada.

Taxa de esforço confortável até 35 % · limite de referência 45 % Comissão de reembolso 0,25 % em taxa variável e 0,5 % em taxa fixa 4 calculadoras lá dentro

O seu caso

O que está a decidir?

São quatro momentos diferentes da mesma casa. Começamos pelo primeiro: saber se o banco lhe aprova o crédito.

Meu caso é outro

Ajuste a estimativa

Os seus números

Preencha o que interessa ao seu caso. As taxas de mercado — Euribor, TAN, taxa base dos Certificados e coeficiente das rendas — são campos editáveis de propósito: mudam ao longo do ano e o valor certo é o que o seu contrato ou o aviso do ano disserem.

O que entra mesmo na conta, somando os dois titulares.

A prestação atual, ou a que o simulador do banco lhe indicou.

Crédito automóvel, pessoal, cartões e crédito ao consumo.

O que ainda deve ao banco, não o valor da casa.

A taxa anual nominal do contrato. Numa taxa variável é a Euribor do seu prazo mais o spread.

Também é o horizonte usado na comparação com os Certificados de Aforro.

A quantia que pode amortizar — ou, em alternativa, pôr nos Certificados.

Muda a comissão de reembolso antecipado.

Encurtar o prazo poupa mais juros; baixar a prestação dá folga mensal.

Média da Euribor a 3 meses, com teto de 2,5 %. Confirme o valor do mês no site do IGCP.

A renda que paga hoje, antes da atualização.

Publicado todos os anos pelo INE. O valor pré-carregado é o do Aviso n.º 23174/2025/2.

Estimativa informativa. Taxas, custos e condições reais dependem da instituição e do contrato; compare os documentos oficiais antes de decidir.

Como se forma o total

A conta, linha a linha

Os números que o banco usa e os que ele não lhe mostra: a margem que ainda tem, a comissão que desconta a poupança e o que a mesma quantia rendia noutro sítio.

Mostra a composição do caso que escolheu: o peso das prestações no rendimento, os juros que poupa face aos que continua a pagar, ou o que rende a poupança depois do imposto.

    Resposta rápida

    O que lhe corresponde

    A taxa de esforço é o peso de todas as prestações no rendimento líquido: até 35 % é confortável e acima de 45 % raramente é aprovado. Rendimento líquido mensal de todo o agregado, já depois de impostos e Segurança Social

    Prazo:

    Perguntas frequentes

    Qual é a taxa de esforço máxima para conseguir crédito à habitação?

    Não há um limite escrito na lei, mas há referências que a banca segue: até 35 % do rendimento líquido é considerado confortável, e a partir de cerca de 45 % as recusas tornam-se a regra. O Banco de Portugal recomenda ainda que a avaliação seja feita com uma taxa de juro superior à do momento, precisamente para testar se o agregado aguenta uma subida da Euribor.

    O que conta para a taxa de esforço?

    Todas as prestações de crédito que o agregado paga, não só a da casa: automóvel, crédito pessoal, crédito ao consumo e cartões com pagamento faseado. Do outro lado entra o rendimento líquido, já depois de IRS e Segurança Social. Rendimentos irregulares como comissões ou subsídios costumam ser considerados apenas em parte, ou nem sequer entrar.

    Compensa mais reduzir o prazo ou reduzir a prestação?

    Reduzir o prazo poupa sempre mais juros, porque o capital fica menos tempo a vencer juros e a prestação continua a atacar mais capital todos os meses. Reduzir a prestação poupa menos, mas liberta dinheiro no orçamento mensal. A escolha não é financeira, é de risco: quem tem folga escolhe o prazo, quem está apertado escolhe a prestação.

    Quanto custa amortizar antecipadamente?

    A comissão de reembolso antecipado é de 0,25 % do capital amortizado nos contratos de taxa variável e de 0,5 % nos de taxa fixa. É pouco face aos juros que se poupam: numa amortização de 10.000 € falamos de dezenas de euros contra milhares de euros de juros evitados. Houve períodos de suspensão temporária desta comissão em taxa variável, por isso vale a pena confirmar o que está em vigor antes de avançar.

    É melhor amortizar o crédito ou pôr o dinheiro a render?

    A regra é simples: compare a TAN do crédito com a taxa líquida do que a poupança rende. Amortizar é um investimento sem risco cujo retorno é exatamente a taxa do crédito, e sem imposto — porque juros que não paga não são rendimento tributável. Já os juros dos Certificados de Aforro pagam 28 % de IRS. Com uma TAN acima de 3 % e a taxa base dos Certificados no teto, amortizar costuma ganhar.

    Como funcionam os Certificados de Aforro Série F?

    A taxa base segue a média da Euribor a 3 meses, com um piso de 0 % e um teto de 2,5 %. A partir do segundo ano acresce um prémio de permanência que sobe por patamares e fica de fora do teto, o que premeia quem não mexe no dinheiro. Os juros capitalizam trimestralmente, a unidade é de 1 € e o limite é de 250.000 € por titular. O resgate só é possível três meses depois da subscrição.

    Devo amortizar ou guardar um fundo de emergência?

    Primeiro o fundo de emergência. Amortizar é irreversível: o dinheiro entra na casa e não volta a sair sem vender ou pedir novo crédito. A ordem sensata é ter três a seis meses de despesas líquidas de parte, depois liquidar créditos caros — pessoal, automóvel, cartões —, e só no fim atacar o crédito à habitação, que é quase sempre o mais barato que se consegue em Portugal.

    Quanto pode o senhorio aumentar a renda?

    Apenas o que resultar da aplicação do coeficiente de atualização que o INE apura e que é publicado por aviso no Diário da República. O coeficiente pré-carregado nesta calculadora é o do Aviso n.º 23174/2025/2. Um aumento superior não é válido, mesmo que o inquilino tenha assinado um aditamento nesse sentido, e a atualização só pode acontecer uma vez por ano.

    O senhorio tem de avisar antes de subir a renda?

    Tem, por escrito e com pelo menos 30 dias de antecedência em relação ao mês em que a nova renda passa a vigorar. Sem essa comunicação, feita a tempo, o aumento não produz efeitos nesse ano — e o senhorio não pode recuperar depois a diferença. A atualização é também uma faculdade, não uma obrigação: há senhorios que optam por não atualizar para manter o inquilino.

    A prestação sobe se a Euribor subir?

    Numa taxa variável, sim, e no prazo de revisão que o contrato definir: a cada três, seis ou doze meses. Nas taxas fixas a prestação não muda durante o período contratado. É por isso que faz sentido simular a taxa de esforço com uma taxa acima da atual: o que interessa não é aguentar a prestação de hoje, é aguentar a de daqui a dois anos.

    Qual é a diferença entre TAN e TAEG?

    A TAN é só a taxa de juro que remunera o capital, e é a que se usa para calcular a prestação. A TAEG inclui, além dos juros, as comissões, os seguros exigidos e os impostos associados, e serve para comparar propostas de bancos diferentes. Duas propostas com a mesma TAN podem ter TAEG muito diferentes se uma delas obrigar a seguros caros ou a domiciliações com custos.